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Gente da nossa história:
Agostinho Alves da Silva: o homem caprichoso

Agostinho Alves da Silva
Agostinho Alves da Silva
(1915 - 1990)

“Centina, vô dá um pulinho na praia pegá uns peixe pra nóis jantá.” Era assim que seu Agostinho por vezes ao chegar em casa, depois do serviço, dizia a esposa “pra móde” pegar uma mistura pro jantar.
 
Da época em que o homem honesto era exemplo a ser seguido, seu Agostinho foi exemplo de pai, marido, companheiro, amigo, homem de bem. Como era natural a troca de mercadorias entre o litoral e o planalto, muitas pessoas subiam e outras desciam a serra, alguns se instalaram em definitivo, como foi o caso de seu Agostinho.

Natural de Natividade da Serra, ele nasceu no dia 29 de setembro de 1915 e de lá para cá fez história. Tinha três paixões em sua vida, a primeira ele gostava tanto que casou com ela, foi dona Vicentina Alves da Silva, a outra eram os filhos e por último a Folia de Reis.

Seu Agostinho quando veio para o litoral trabalhou em várias fazendas, a mais lembrada foi a do Casqueiro (Porto Novo) em Caraguatatuba, onde se casou com Vicentina. Desta união tiveram doze filhos: Pedro, Margarida, Nair, Waldomiro, Orlando, Inês, Odete, Elza, João, Maria, Carlos e Angélica.

Homem de hábito simples costumava plantar de tudo, também tinha lá suas criações como galinha caipira e porcos. Em sua casa na Lagoinha tinha um mangueirão de dar inveja. Homem que trabalhava nas fazendas realizando todo tipo de atividade, capinava, roçava, cortava, amontoava. Em 1946 ele veio morar em definitivo na Lagoinha (próximo a capela de São Maximiano), sua casa era de pau-a-pique, que mais tarde ganhou um reboco (coisa chique para a época), as janelas de tramela escondiam as crianças que dormiam em esteiras no chão. O quintal sempre rodeado de plantações como jabuticabas, banana, goiabeiras, mandioca, batata. As frutas só podiam ser apanhadas se estivessem de “vez”, antes do tempo de “jeito maneira”. Aos sábados ia para a Fazenda Bom Descanso onde cultivava bananas, milho, verduras.

Na lua certa, saía com os amigos para caçar. Ele tinha licença de caça e fazia questão de pagar a licença todos os anos. Também gostava de pescar de linhada, era da época em que se arregaçava as pernas da calça até o joelho, depois emendavam as linhas, lançavam o anzol na água, as iscas eram tiradas pelos filhos, os mais velhos, retirando “sapinhoás” nas areias da praia, depois abrindo com canivete para servir ao anzol. Como o mar da região era repleto de peixes, sempre traziam para casa alguns pampos pescados no perau. No retorno para casa, havia sempre um bule de café no fogão a lenha, sempre fresco e quentinho (marca registrada da hospitalidade do casal).

Seu Agostinho trabalhou por muito tempo no antigo DER como cantoneiro, na época cada um cuidava de um trecho de três quilômetros. No departamento, ele colaborou com muitas famílias conseguindo caminhões para mudanças e transportes, com enchentes e catástrofes naturais, no resgate de motoristas na estrada, com material para construção de escola e igreja. Por ser o único morador do trecho, todos que ali passavam tinham um grande amigo e companheiro para todas as necessidades, abrigando gente humilde, padres e autoridades. Abrigava também pescadores que em tempos de marés ruins, se viam obrigados a parar na praia e correr para próximo daquele café quentinho.

Bastava um carro quebrar, lá estava Agostinho socorrendo e se o caso fosse grave, ganhava até janta e pouso. Do tamanho de sua fé, seu Agostinho abrigou por muitos anos religiosos como Frei Vitório Fantini, Fernando Mazon (hoje Bispo), Frei Angélico, Frei Pio, que realizam visitas a este trecho de litoral. A primeira capela era dentro de sua casa em um espaço de três metros por quatro. Foi deste espaço que sua humilde casa ficou conhecida como a igreja de Seu Agostinho.
Quando era época de Folia de Reis, ele fazia um caminho de flores tropicais, nas laterais com todo o capricho colocava ramalhetes de samambaias, dentro flores de todas as cores e aromas, as crianças adoravam.

Os homens da folia já sabiam que tinham de passar em duas casas, independente da ordem: a de seu Agostinho e a de seu Benedito Euzébio. Não faltavam eram comes e bebes aos acompanhantes da Folia de Reis. Seu compadre vivia como irmão. Estamos falando de Afonso Gonzaga, que agora devem estar rindo das estripulias que faziam por aqui.

Quando ele ia trabalhar, levava seu corpo, mas sua alma ficava em casa, com “pensão” nos filhos e na esposa. Os filhos, espoletas como eram, faziam a festa quando voltava do trabalho, quando sobrava almoço da marmita, ele dividia com os filhos que gostavam de comer junto com o pai. Os tempos sempre foram difíceis nesta casa, no sentido financeiro, ao que se sabe nunca faltou carinho, amor, compreensão da parte dos pais.

Seu Agostinho, como homem bom e caprichoso, ao se aproximar do natal fazia os próprios brinquedos. Ele buscava algum tronco de caixeta e começa a entalhar com seu canivete até que conseguia fazer um caminhãozinho para dar de presente de natal aos filhos, a todos os filhos. Os dias que antecediam o natal, todos ficavam ansiosos e até iam dormir mais cedo, quando adormeciam, ele colocava na cabeceira da cama de cada um e fazia questão de dizer que tinha sido obra do papai Noel.

Seu Agostinho, sobre a orientação de sua amiga Maria Balio ajudou a erguer a primeira escola, que foi na fazenda Bom Descanso, ela durou menos de um ano, depois ajudou a erguer uma na Lagoinha, esta durou três dias, como era um salão aberto o vento forte derrubou a estrutura. Os alunos começaram a freqüentar a escola da Rita Carlota na Maranduba. Quando um dos filhos não ia para escola, no outro dia podia contar que Maria Balio aparecia em sua casa para ver o que havia acontecido com seu aluno, dependendo da situação até os adultos levavam um sabão da professora.

Não só de trabalho vivia Seu Agostinho, ele também levava a todos a Aparecida do Norte. Todos acordavam as três da madrugada e as quatro saiam no caminhão pau-de-arara de Afonso Simão. Maria Balio é quem animava o passeio, ela cantava, rezava, puxava conversa. As 11 hs. chegavam a Paraibuna, lá em frente ao cemitério almoçavam e por volta das 18 horas chegavam a Aparecida, o passeio geralmente durava dois ou três dias, as crianças adoravam. Tudo isto era preparado um ano antes, ele vinha guardando suas economias para alegrar sua primeira e segunda paixão.

De braços fortes e coração mole, seu Agostinho era daqueles que tirava a camisa para vestir quem quer que fosse. Aos finais de semana sua casa vivia repleta de gente, tinha porco, frango caipira, feijão gordo, café no bule, família reunida. Ele fazia tudo para todo mundo. Mesmo quando “ralhava” com alguém:” Mais será possível!” ou” Ah! Para com isto!”. Era apenas para corrigir um erro, para que o bem pudesse seguir seu caminho.

Seu Agostinho confidenciava aos filhos e aos amigos que não tinha medo de morrer, mas tinha medo de se esquecido.
Perguntado aos amigos e pessoas ainda vivas que o conheceram, muitos, em principio fizeram um longo silencio e com os olhos marejados de lágrimas diziam as seguintes palavras: Bom homem!

Pois é seu Agostinho, o senhor se foi no dia 15 de maio de 1990 e não vai ser esquecido de jeito maneira, seu esforço culminou em uma linda homenagem, onde verão seu nome todos os dias. Hoje seu nome esta estampado na escola que ajudou a construir. Com o orgulho dos amigos, filhos e familiares, o senhor é patrono da Escola Municipal da Lagoinha, que se chama agora Escola Municipal Agostinho Alves da Silva em sua honra, memória e seu mérito.

Ezequiel dos Santos


A Central de Reservas

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