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Água Branca Futebol Clube: Época da chuteira de couro e crava de prego
Em 1964 o campo no Sertão da Quina possuía 70 metros2, custou cerca de 400 Réis, a trave era de guissara de palmito e não tinha grama
Em 1964 o campo no Sertão da Quina possuía 70 metros2, custou cerca de 400 Réis, a trave era de guissara de palmito e não tinha grama.

O nome da cachoeira teve maior repercussão quando um grupo de amigos, que jogava futebol, resolveu em 1955, ainda no governo Alberto Santos, criar um time de futebol - o Água Branca Futebol Clube, o nome foi escolhido porque de onde eles jogavam avistavam a cachoeira, o clube tinha bandeira e tudo.

Na época os homens treinavam descalço no jundú da Praia da Maranduba, onde atualmente encontra se o posto de gasolina. Depois o campo foi transferido para a Rua Hipólito Alexandre da Cruz, no Sertão da Quina, que possuía 70 metros quadrados e custou cerca de 400 Réis contando com o terreno, a trave era de guissara de palmito e não tinha grama, pois era área de roça de mandioca.

Para preparar o campo, os amigos arrancaram muito toco de madeira e as primeiras “gramas” eram capins, tinha uma curiosidade, no meio do campo havia uma trilha que era o da vila e abaixo era o encanamento de água, a trilha levava a casa do Tião Pedro e a do Benedito Elói, por vezes o jogo parava para que as pessoas pudessem passar na trilha.

O local era metade do Hipólito Alexandre da Cruz e Sebastião Pedro de Oliveira. Os sobreviventes daquela era de ouro do futebol têm muitas saudades, relembra o caiçara Sebastião Pedro de Oliveira, 85, atacante do ABFC. “Jogávamos descalço, depois apareceu a tal de chuteira de couro duro, no litoral íamos de caminhão e na serra acima subíamos a pé e trazíamos o troféu para casa, era uma beleza, fizemos muito mais amizade do que confusão”, as primeiras chuteiras de couro e uniformes foram doadas por Wilson Abirached que em campanha política prometeu e cumpriu o feito. Zeca Pedro, 70, lembra que muitos olharam para a chuteira e de cara já sabiam que seria difícil calça-los, é que os pés eram tão grossos de couro e os dedos dos pés esparramados que foi difícil colocar o calçado no primeiro momento, recorda ainda que a bola era feita de capotão costurada e amarrada, os amigos costumavam passar sebo de carne animal para que durasse mais.

Emblema bordado

Thereza dos Santos foi quem bordou, confeccionou e colocou os emblemas nas camisas do clube. Segundo Tião Pedro, eles já enfrentaram times do litoral e do Vale do Paraíba. Na lembrança de Seu Tião e Zeca Pedro, o primeiro time era composto por cerca de 20 homens e alguns não jogavam, eram eles: Goleiros - Guido Correia e Antonio Pereira, Defensores - Pedro Félix, Dito do Anastácio, Mané Pedro e Pedro Néco, Meio Campistas - Calixto, Dito Messias, Zé Benedito, Zé Felix, João Américo, Zé João e Nanzinho Atacantes – Tião Pedro, Mané Gaspar, Mane João, Janjão, Pedro Oliveira, Benedito Correia, Dito Messias, Zèca Pedro e Tião Felix.

O campo durou até o inicio da década de 1970 e foi trocado por uma área de outros familiares de Catharina de Oliveira Santos, onde está até hoje. O uniforme do ABFC sempre tinha a cor verde das matas, mesclados com amarelo ou branco, conforme o jogo de camisa do adversário, cada jogador comprava seu uniforme que era trazido de Santos. Num determinado campeonato, o Água Branca já havia eliminado três clubes (Lázaro, Getuba e Maranduba), contra o Getuba foram batidos 18 pênaltis e o ABFC passou, na final foi contra o Massaguaçu e o escolhido para bater foi Zeca Pedro que depois de cansado não conseguiu forças para marcar o último gol e o Água Branca perdeu por 3x2.

Havia ainda campos que tinham valetas em seu meio, como no caso do Campo da Vargem Grande, o campo havia sido construído em uma barreira. Era normal saírem de manhã do Sertão da Quina, chegavam a Vargem Grande, dormiam e seis da manhã rumavam ao Bairro Alto, chegavam às 10 horas, participavam do festival, conquistavam troféus, 15h30min saiam de lá para uma pensão, três da madrugada vinham para casa, chegavam ao Sertão da Quina às quatro da tarde tudo regado à farofa de frango, carne na gordura e frutas apanhadas pelo caminho.

Neste tempo havia uma molecada que já se preparam para substituir os atuais jogadores, eram: Nelson de Oliveira (que tinha uma bola de capotão), Jango, Wladimir, Mauro Soares, Thomé Adolfo, Ferreira, Augusto Correia, Mane Hipólito, Adelson, Ivanil, entre outros que depois de saírem da roça jogavam até escurecer.

Para quem gosta do futebol arte, vai lembrar com muita saudade do ABFC e outros times que fizeram história por aqui.

EZEQUIEL DOS SANTOS


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