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Corcovado: Aldeia Ywyty guaçú, o renascer de uma história
Aldeia Renascer
O local possui uma escola que funciona em três turnos de aulas.

Localizada aos pés do Pico do Corcovado, a aldeia Renascer é mais que um ponto de atração turística, é considerada um dos elos do processo de formação de nosso povo, já que os índios foram os primeiros moradores de nosso país e que em nosso litoral realizaram eventos de repercussão internacional, como a Confederação dos Tamoios e a Paz de Iperoig.

De raiz Tupi e Guarani, a aldeia possui 11 famílias num total de 70 pessoas distribuídas em 2.500 hectares de belas paisagens e rios de águas cristalinas. De relevante importância à formação da identidade do povo brasileiro, os índios que lá habitam aprenderam a trabalhar as ferramentas tecnológicas e de informação de nosso século.

Povo ordeiro e tranqüilo, o local está aberto à visitação pública, desde que avisada com antecedência. Além das áreas de interesse cultural, antropológico, cênicos e ambiental, o local possui uma escola que funciona em três turnos de aulas. Pela Manhã são três séries (1ª,2ª e 3°), a tarde a 4ª série e educação infantil e a noite o EJA (Educação de Jovens e Adultos). O local possui acesso a internet via satélite, o que mantém os professores “antenados” não só as outras tribos, mas também aos avanços globais e temas mundiais, regionais e local aos interesses indígenas. A constituição de 1988 assegurou a nação indígena o direito a educação, inclusive diretrizes especificas da Educação Escolar Indígena.
Aldeia Renascer
É interessante acompanhar uma aula bilíngüe, já que quem mais aprende é o observador, os temas são os cotidianos e as palavras retiradas da localidade.

Em todo o Brasil são pouco mais de 2.500 escolas indígenas distribuídas em 24 estados. Só em São Paulo são 1.500 alunos distribuídas por 30 escolas, onde as aldeias somam aproximadamente 5000 índios. Nestas escolas os professores passam por capacitação profissional especifica já que as aulas são bilíngües. Atualmente grande parte dos professores indígenas possui nível superior, como é no caso do professor Awa Kiririndju (Cristiano de Lima), 25, formado em pedagogia pela Universidade de São Paulo-USP. É interessante acompanhar uma aula bilíngüe, já que quem mais aprende é o observador, os temas são os cotidianos e as palavras retiradas da localidade. Kiririndju informa que existe procura para estágios na escola E.E.I. Profª. Aldeia Renascer – Penha Mitãngwe Nimboea.

Com visão a respeitabilidade, ao conhecimento da história da formação do município e do país, ao atrativo turístico e cultural, especialistas apontam várias vantagens a inserção na grade curricular escolar a temática sobre a história indígena, principalmente em Ubatuba que é celeiro de importantes acontecimentos com esta primeira população. A escola tem potencial para vários projetos educacionais e de pesquisa, o que traz a região investimentos e colaboração científica. Estudantes e especialistas cada vez mais procuram temas relacionados à formação do povo brasileiro, como é também com os quilombolas e comunidades tradicionais.

Na década de 1970, havia um pensamento de que o desaparecimento da população indígena seria inevitável, felizmente nos anos seguintes o quadro mudou, com um crescimento de 3,5% ao ano, a população indígena aumentou e continua a lutar para manter suas terras e costumes. Segundo estudos do antropólogo Darcy Ribeiro, existiam 6 milhões de indígenas e mais de mil etnias em 1.500, hoje são cerca de 550 mil índios distribuídos em 230 grupos, que falam 180 línguas diferentes.

O local foi palco do épico filme sobre o primeiro turista e aventureiro a registrar a vida dos índios do Brasil, o filme trata de Hans Staden cujo título é “Lá vem nossa comida pulando”. O título do filme se refere ao aventureiro alemão como comida dos índios Tupinambá, já que eles praticavam a antropofagia (ato de consumir uma parte, várias partes ou a totalidade de um ser humano). O sentido etimológico original da palavra “antropófago” (do grego anthropos, “homem” e phagein, “comer”) foi sendo substituído pelo uso comum, que designa o caso particular de canibalismo na espécie humana.
Hans Staden
Cena do filme de Hans Staden filmado na aldeia Renascer em 1999

A aldeia Renascer serviu como locação para o filme que trata da estada de Hans Staden em Ubatuba no ano de 1557. No local foi criada uma réplica da aldeia onde Staden permaneceu prisioneiro, toda esta experiência fez com que, de volta à Europa, redigiu um relato sobre as peripécias em suas viagens e aventuras no Novo Mundo, uma das primeiras descrições para o grande público acerca dos costumes dos indígenas sul-americanos. Ele registrou de forma majestosa e detalhada sua estada nas terras novas e publicou o que seria o primeiro livro sobre nosso país, seu povo e o modo de vida. O livro foi publicado em Marburgo, Alemanha, por Andres Colben em 1557. Chama-se comumente “Duas viagens ao Brasil”. Tal livro conheceu sucessivas edições, constituindo-se num sucesso editorial devido às suas ilustrações de animais e plantas, além de descrições de rituais indígenas e costumes exóticos.

A aldeia Renascer nos anos de 2002 e 2003 promoveu a Semana do Índio - evento de quatro dias - recebeu cerca de 700 indígenas e mil turistas por dia de festividades. Participavam tribos de todo estado de São Paulo e realmente era uma grande festa. Tinham futebol indígena, artesanato, músicas, danças, comidas típicas. Na época , o evento foi forte candidato a entrar no calendário de eventos do município. Em Bertioga, litoral sul de São Paulo, evento similar já possui repercussão nacional e vem atraindo milhares de visitantes a cidade, que tem um ganho financeiro muito bom. Os índios têm por vocação natural a defesa e o amor a terra que os sustentam e a humanidade por conta do respeito a sua cultura, vocação esta estampada principalmente nas pinturas corporais e no artesanato.


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O Vice-cacique, Awa Aridjú (Donizete Machado), 31, cujo significado do nome é o “homem do tempo”, nos conta sobre a importância da pintura corporal, seja em caso de guerra, festividades e nos rituais de purificação e transformação. Segundo Aridjú, as pinturas para os homens são mais brutas e das mulheres mais singelas e detalhadas, cada desenho tem um significado e cada significado um sentimento. O artesanato que é rico em detalhes e nos remete a origem e a necessidade da tribo, cada peça produzida tem um rito a começar pelo tempo de retirada do material. Como eles seguem ainda o calendário natural, a matéria prima é estudado e escolhida no tempo, tamanho e necessidade certa para a sua transformação. Aridjú acrescenta que existe a troca de material entre as tribos, como no caso deles, que trocam madeira e cipó com penas e outros adornos com os índios do Xingu. Toda esta relação mantém não só a amizade e a confiança entre os povos, mas mantém laços fraternais muito importantes a manutenção da cultura indígena. No local é possível avistar plantações realizadas pelos membros da aldeia, são pés de palmito pupunha, mandioca e banana em grande roça e pequenas outras culturas no entorno das residências, como alguma planta medicinal.

A aldeia já teve sua história publicada no Diário Oficial da União e aguarda o levantamento antropológico, enquanto isto não acontece, cabe a todos respeitar e torcer pelo sucesso destes cidadãos que nos dão a oportunidade de conhecer parte de nossa rica cultura e nossa real identidade. “A força indígena vem da cultura, espiritualidade e da terra. Um povo que não tem cultura, não tem identidade. Um povo sem espiritualidade, não conhece a natureza. Um povo que não tem terra, morre!” Marcos Terena, membro da Cátedra Indígena itinerante, diretor do Memorial dos Povos Indígenas na Organização das Nações Unidas-ONU. Contato: (12) 3848.0228

EZEQUIEL DOS SANTOS


A Central de Reservas

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