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Brilhante: mistérios e belezas num só lugar
Brilhante
Com a névoa, que é comum no local, parece coisa do filme Jurassic Park

O local mais parece ter saído de algum livro de aventuras escritas por quem realmente viveu cada etapa do percurso. O Brilhante é um poço de mistérios, lendas e contos antigos, que muitos deles, mesmo sem o visitante saber se arrepia só de chegar ao local. Tudo lá é dificultoso, o caminho inspira cuidados extremos e em alguns pontos o perigo literalmente mora ao lado. Mas apesar dos cuidados a serem tomados o trecho esconde belezas raras e mistérios a serem desvendados.

O local recebeu o nome ainda no período anterior aos primeiros colonizadores locais, que vem de uma pedra que brilha, também do brilho do sol refletido em suas águas, ou os dois juntos. Estranho mesmo é que o sol caminha por cima de um de seus rios o dia todo, parece que é a montanha que anda e não o sol. Existem relatos pela tradição oral que o caminho já era velha conhecida dos escravos das antigas fazendas da região, que com certeza só mantiveram o que os índios que aqui habitavam realizaram. Os mais antigos contam que muita coisa estranha aconteceu no perímetro, não é para menos, em seu quadrante há alguns anos caiu o helicóptero com o presidente da Avibras e sua esposa. Levou um ano para ser localizado e só foi encontrado por moradores tradicionais que vinham do Vale do Paraíba para o litoral.

O percurso esconde o segredo da entrada para seguir até o Brilhante, vale lembrar de que só uma pessoa preparada fisicamente pode transpor o paredão e que para se chegar lá somente com guias e mateiros locais experientes. A parte baixa até que não é difícil caminhar, requer os cuidados de uma trilha em nível médio-alta, num dado momento tem de se descobrir à entrada para encarar o paredão. Antes, porém, um descanso. É isso mesmo, é necessário um descanso para encarar uma subida de 120 metros de puro Granito Verde Ubatuba, é uma subida íngreme e requer muita habilidade, os mateiros já sabem onde pisar e segurar.

No caminho você vai ouvindo o som das quedas da Cachoeira da Água Branca e em alguns pontos de segurança também se ouve e vê vários pássaros, o mais comum é o Cavalo Froxô ou Frechó como dizem os mais antigos da localidade. O local inspira cuidados, a atenção na trilha também revela os sons da natureza, no silencio absoluto dá a sensação de poder ouvir o próprio coração devido ao esforço para subir a montanha. Passado o paredão em seu cume tem-se a espetacular imagem da praia e de todo o vale entre a Maranduba e o Sertão da Quina. Neste ponto é fácil descobrir onde realmente é mata primaria e onde já foi utilizada para as grandes roças. O local é chique, à frente parece uma pintura de uma imagem que parece nunca mexer, do lado direito uma enorme “plantação” natural de bromélias e orquídeas, muitas delas desconhecidas dos especialistas, do lado esquerdo o som e pedaços das imagens por entre as grandes árvores da primeira queda da Água Branca, já no planalto.

São tantas flores e belezas que mesmo os mais experientes mateiros param para contemplar esta obra de Deus. A fauna começa a mudar a esta altitude, lá em cima é possível ouvir e por vezes observar com mais freqüência animais como anta, onça, porco do mato, cobras, macacos e muito mais. As aves, pequenas ou grandes dão o ar da graça sempre, todos estes animais vão aos rios do lugar para beber água, realmente é um espetáculo a parte.

Cenário desafia a lógica e atrai curisosos

Brilhante
Após vencer o paredão, uma imagem magnífica da praia e do vale da Maranduba

Seguindo o caminho é possível avistar árvores gigantescas. Naquele trecho é comum ver pés de xaxim ou Samambaiaçu da altura das grandes arvores, elas tem de 30 a 50 metros de altura e de um diâmetro por vezes da cintura de um homem adulto. Ë possível perceber olhando atento no chão ao seu redor de que estas plantas já foram bem maiores no passado, algumas precisavam de pelo menos três pessoas para abraçar a planta.

Com a névoa o local parece coisa do filme Jurassic Park, plantas como a guaricanga, a imbira branca é visível no lugar. A neblina que desce dizem ser mística e estranha e tenta desviar a atenção dos visitantes, estas condições propiciam a pessoa a se perder na mata e não mais encontrar o caminho de volta. Os vários rios, alguns como o Água Branca, Brilhante, o Paciência. Uns têm coloração amarelada e outros totalmente brancos, algumas vezes eles se misturam, outras não. É difícil distinguir o rio que desce e o rio que sobe. Um a coisa é comum entre eles, a água é muito fria, até mesmo no verão. No inverno é chega a ser “cortante”. Lá você não sabe pra que lado ir, só com o acompanhamento de um mateiro experiente é possível sair com segurança.

Daquele ponto é possível ir para Vargem Grande, Campinho, Cachoeira do Poço Verde, Caraguatatuba, Armazém e na antiga linha de trem. Existem outros caminhos para sair no Corcovado, em São Luiz, Palmeiras, o centro da cidade e assim sucessivamente. O legal mesmo é quando você encontra com o cerrado, vê o que é a natureza, o que Deus realizou, de um lado as grandes arvores da Mata Atlântica do outro lado arvores pequenas e velhas, até o mato rasteiro é diferente. Já foram encontrados montes de tijolos no local, estranhamente colocados amontoados como se fosse o inicio de uma viga. Um dos mateiros nos revela que na descida da Vargem Grande para o litoral, um dos membros da comitiva resolveu pegar um tijolo e colocar na mochila. Quando desceu o paredão, lá embaixo numa área de descanso, resolveu abrir a mochila para ver direito o que tinha pegado. Ao abrir a surpresa, o tijolo não estava lá, havia sumido. O interessante que ele tinha enrolado o tijolo num plástico e amarrado bem apertado e não pararam em ponto algum, mais a embalagem estava amarrada dentro da mochila e sem o tijolo. Todos se espantaram, pois haviam visto o amigo colocar o objeto na mochila. Estes são os mistérios que por vezes o homem urbano não entende e que esta mística entre o homem, a natureza, a cultura seja imensurável para o morador tradicional.

A conversa entre moradores, a troca de informações entre os mais velhos do que viu, do que conhece, de como proceder, de como era no passado tem muito valor, não tem dinheiro que pague, são atividades que o colocam dentro do contexto de uma cultura que ajudou a civilizar e a contar a história do país antes das leis e das posturas oficiais que o descriminaram.
Vários outros mistérios cercam o lugar. Lá existem cavernas que ainda não foram exploradas, buracos no chão que parecem não ter fim, muitos outros acontecimentos são guardados em segredos que serão passados de pai para filho.

Ah! Ía me esquecendo, para se chegar ao meio do perímetro do brilhante um mateiro experiente leva em média cinco horas e os próprios recomendam não deixarem sacos plásticos, garrafas e até pedaços de panos. Muitos destes objetos são encontrados por moradores e trazidos para o lixo aqui embaixo. Eles sentem tristeza quando alguém não respeita a natureza, pois parece que está sujando a nossa casa, o que é verdade, com isto são os moradores tradicionais que muitas vezes “pagam o pato”, como acontece no caso dos palmiteiros. Agora é se preparar fisicamente, espiritualmente para encarar esta aventura. Põe aventura nisso!

EZEQUIEL DOS SANTOS


A Central de Reservas

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