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Famílias dos Parques Estaduais

Os animais e os pássaros precisam sobreviver, mas os seres humanos também. E se os seres humanos forem educados e respeitados, eles serão os maiores preservadores da natureza.

O litoral paulista começou a ser povoado no século XVI, logo após o descobrimento do Brasil. Os imigrantes adentraram nas matas e foram avançando ao interior, constituindo cidades como São Paulo e outras tantas. Muitas famílias permaneceram na costa do litoral, onde sobrevivem até hoje. No decorrer do tempo, o Estado decretou as áreas de preservação ou parques estaduais, especialmente em áreas litorâneas.

Atualmente, as regras estabelecidas nos parques limitam as atividades dos antigos moradores, praticamente inviabilizando a sobrevivência desse pessoal. Existe ainda a possibilidade, cada vez mais, de ser executada a retirada dos moradores dos parques, o que é inconveniente.

Quando o Estado vai criar uma área de parque é necessário que haja uma preocupação e uma destinação para as famílias que lá vivem. Há vários anos existem os parques e os problemas continuam, porque não se resolve a situação dos moradores. A lógica do governo é que nestas áreas não haja nenhum morador. Até faria sentido essa maneira de pensar, se aqui no Brasil existisse uma consciência formada de preservação ambiental. Agir assim é correr o risco de facilitar a ação dos predadores da fauna e flora. Com um determinado número de famílias morando em parques e sendo educadas para protegê-los, é possível que seja muito mais eficiente do que o Estado colocar meia dúzia de guardas que não dão conta de fiscalizar a área, deixando aberto o caminho para os que querem explorar indevidamente suas riquezas.

As pessoas que habitam áreas de preservação estão próximas do litoral, que tem cidades bem povoadas, o que facilita a comercialização de seus produtos. Então é perfeitamente possível conciliar a vida dessas famílias ali sem prejuízo para a natureza. Elas ficam por anos e anos na maioria dos parques estaduais, até que é decretada a área de preservação, sem consultá-las jamais sobre essa decisão. Como eles têm anos de convivência com esses locais e vivem da exploração saudável deles, tira-los de lá sem oferecer condições semelhantes de vida causa um transtorno bastante considerável a suas vidas.

Estive em Ubatuba recentemente e visitei algumas propriedades rurais. Constatei arbitrariedades descabidas com relação a um proprietário de área que vive com sua família, trabalhando no sistema agroflorestal de maneira espetacular. Ele repovoa a área com palmito Jussara, onde pretende apenas colher parte das sementes para extrair polpa, porque o restante deixa para os pássaros e para a reprodução da espécie. Cultiva diversas frutas intercaladas com outras árvores típicas da floresta, fazendo doces, licores, extraindo polpa, produzindo ervas medicinais e outros produtos sem prejudicar em nada o meio ambiente. Este é um exemplo a ser seguido.

Não tenho dúvidas de que precisamos criar áreas de preservação, mas é necessário um processo educativo para essa população, de como ajudar a preservar ainda mais a natureza e como conseguir renda para sua sobrevivência. Os animais e os pássaros precisam sobreviver, mas os seres humanos também. E se os seres humanos forem educados e respeitados, eles serão os maiores preservadores da natureza.

Braz Albertini
é presidente da Federação dos Trabalhadores
na Agricultura do Estado de São Paulo e idealizador da Agrifam.
Mantém o Blog no endereço http://blogdobraz.wordpress.com


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