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Gente da nossa história:
Geraldo Salles de Oliveira: querido professor

Geraldo Salles de Oliveira
Geraldo Salles de Oliveira
(1963 - 2007)

Nascido em 18 de dezembro de 1963, professor de formação, Geraldo é de família simples, numerosa, costumeira com a lida diária tradicional, tinha um jeitinho caiçara de ser e via na sua cultura de formação uma riqueza de detalhes, de cantos e encantos, de valores fortes ligados a formação e nosso povo. Muitas vezes mostrava suas origens na forma de falar, tratar com os amigos e na forma de comer.

Pescador nas horas vagas, gostava de um bom papo e tutu de feijão. Geraldo foi um daqueles meninos “arteiros”, que andavam pela roça com estilingue no pescoço e que observavam tudo o que os irmãos mais velhos e os pais ensinavam. Alegre e divertido, aprontava muito, mais nada que ofendesse ninguém, tinha como prioridade a educação e respeito com os outros, aprendeu cedo a ajudar as pessoas.

Tudo que se relacionasse com a vida e cultura deste povo lá estava Geraldo, poderia ser a coisa mais simples do mundo, mas que fosse realmente feito de coração, lá estava ele. Desde pequeno se destacou como boa pessoa, principalmente para os estudos. Não havia tempo ruim para este menino. No ônibus aprontava muito, falava bastante e sempre aprontava alguma brincadeira. De longe, era a pessoa que magoaria alguém. Se pudesse ajudar alguém, atrapalhar é que não faria. Ajudou muita gente e nunca cobrou por isso.

Não havia um local sequer da região que ele não conhecia. Um agricultor ou pescador que não o chamasse pelo nome, uma casa de farinha que não quisesse entrar, uma roda de conversa, truco ou dominó que quisesse participar. Todos, de seu jeito, o respeitavam.
Era defensor da maior instituição que existe - a família.

Como professor se preocupava com seus alunos, com os pais, com as redondezas. Tentava oferecer uma aula mais dinâmica, prazerosa, seu diploma era o passaporte para ensinar de fato. Era bonito ver uma criança dizer: “Alá o professor Geraldo! Professor!...Professor! O senhor vai levar a gente para ver a enfermeira?” A criança se referia ao dia 12 de maio, onde as crianças eram levadas em fila indiana por ele até o posto de saúde do bairro, onde trabalhava sua irmã Cidinha, lá eles abraçavam as enfermeiras que se punham de joelhos para receber as lembrancinhas. Para a irmã ele dizia com muito carinho: Mana, feliz dias das enfermeiras, Beijo do seu mano Geraldo, te amo!.

Geraldo, devoto de Nossa Senhora das Graças, sempre expressou sua fé em forma de ajuda ao próximo, independente de quem era ou o que vestia, qual sua religião ou credo, era ajudar por ajudar. Geraldo nunca faltou a nas atividades que se referiam a aparição da padroeira da localidade onde ele mora. Ficava muito triste com o desrespeito que ouvia sobre o tema. Sempre valorizou as datas comemorativas e festivas, principalmente as que se identificavam a cultura local, recordava com carinho os dias das mães, dos pais, os aniversários e outros. Talvez seja por isso que ele é sempre lembrado com muito carinho.

Geraldo é filho de Sebastião Pedro de Oliveira e Maria Gaspar de Oliveira. Tem os irmãos: Martinha, Tereza, Nelson, Cecília, Zezé, Cidinha, Cristina, Adilson e Ângela, casado com Dionéia Lopes de Oliveira, pai de Rúbia Lopes de Oliveira e André Lopes de Oliveira, sempre foi um jovem ativo, carinhoso, comunicativo, educado, ótimo filho, ótimo irmão, bom tio, pai amoroso e esposo extremamente dedicado e preocupado com sua família.

Na época de duas séries em uma única sala, quando iniciou os estudos, já fazia os deveres da segunda série, que eram no mesmo ambiente. Por ser bom aluno, o passaram para a terceira série, só que ele também fazia as atividades da quarta série na terceira e por ser um aluno muito inteligente e aplicado, passou de ano e foi para a quinta série, mas havia um problema, daquele tamanho, ele era muito pequeno para pegar a condução todos os dias. E agora? Diante da dificuldade imposta, veio morar na Rua São Paulo, no centro da cidade, com a irmã Tereza e assim pôde continuar os estudos no Capitão Deolindo.

Já maior, voltou a casa dos pais e continuou os estudos morando na região onde nasceu. Com a falta de condução, caminhava três quilômetros, ida e volta, até a rodovia para pegar o Expresso Rodoviário Atlântico para estudar. Em 1986, se formou no Magistério, no Capitão Deolindo. Iniciou sua carreira de professor na EMEI do Perequê-Mirim, onde lecionou por vários anos, até cursar a Faculdade. Formado em Pedagogia, tinha como satisfação lecionar para Jovens e Adultos. Sua maior satisfação, tanto pessoal como profissional, foi ser o primeiro Diretor da Escola Municipal Sebastiana Luiza de Oliveira Prado - Tiana Luiza, no bairro do Araribá.

Para homenagear a Patrona daquela escola Geraldo defendeu a indicação com unhas e dentes, já que a conhecia muito bem e sabia que Tiana Luiza era merecedora da homenagem . Por onde passou deixou marcas, principalmente no que se refere a sua alegria e vontade de fazer, profissional competente e dedicado, homem alegre e responsável. Todos os seus alunos e amigos o estimam. Quando escolheu sua profissão, a família nem acreditava que ele pudesse ser o professor sério e dedicado que sua profissão exigia, mas como sempre, surpreendeu a todos com suas conquistas profissionais, com isto enchia de orgulho seus pais, irmãos, filhos e todos os seus familiares.

Geraldo gostava de contar piadas, histórias, era uma homem muito alegre, era mantenedor de valores tradicionais caiçaras, na forma de falar e de conversar. Admirava a Praia do Perez, principalmente quando ia pescar. Lá foi visto várias vezes com a família indo à praia, gostava das coisas simples e era simples com as coisas, quando podia. Atento aos esportes principalmente o futebol, gostava de ler revistas e jornais especializados.

Corintiano roxo, fã de Airton Senna e Raul Seixas. Gostava de músicas antigas, principalmente aquelas que falavam da vida simples e da simplicidade das coisas. Gostava de cantar e tocar violão em volta da fogueira com amigos e familiares, gostava de ouvir e contar histórias, principalmente no que se dizia respeito à cultura local. Certa vez, por volta de 1983, Geraldo e os amigos, Mané Rofino, Simão, Luiz Celso (Mosquito) se fantasiaram de índios e se esconderam embaixo da ponte do rio que corta o bairro, quando viam que era turista que vinha, saiam correndo com lanças na mão fazendo sons com a boca e andando como se fossem caçar atrás dos turistas, em principio assustando-os e depois que se davam conta de que era apenas uma brincadeira, entravam na brincadeira e riam muito. Era assim que Geraldo brincava com os amigos.
Todos têm uma marca registrada, a de ainda é muito lembrada, era a seguinte: “Por Deus do céu...!”, era assim que ele expressava espanto ou admiração por algo ou alguma coisa.

No dia 3 de março de 2007, ele resolveu participar de uma romaria de motos a Aparecida do Norte, os amigos preocupados com a longa caminhada resolveram desencorajar Geraldo, mas desistiram quando ele disse o seguinte: - Eu vou fazer esta viagem nem que seja a última coisa que eu faça antes de morrer!. Pois como ele quis a viagem foi realizada e no dia 14 de maio do mesmo ano ele se foi. No ano seguinte a sua partida os amigos fizeram uma romaria em sua homenagem, na mesma data em que teria ido um ano antes.

Geraldo, um menino simples que surpreendeu a todos com a sua dedicação e seu sorriso, aprendia com o tempo e tinha todo o tempo para ensinar, quantos são os formados de hoje, que um dia foi na casa de Geraldo folhear os livros que tinha, ele fazia questão de colaborar nos trabalhos escolares, brigava para que as crianças pudessem ter sempre o melhor, merenda, livros, espaços, educação e saúde. Por tudo que fez, foi homenageado com seu nome na quadra poli esportiva da escola Nativa Fernandes no Sertão da Quina. Familiares e amigos tem boas lembranças deste moço e estampado nas camisetas está um sentimento comum: Geraldo! Eterna saudade! Valeu Geraldo!

EZEQUIEL DOS SANTOS


A Central de Reservas

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