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A presença da língua tupi em Ubatuba
Conheça o significado dos nomes de alguns lugares de Ubatuba segundo o idioma tupi-guarani
Cesteira
"Cesteira" - Ilustração de Antonio Coutinho

A língua portuguesa, apesar de sua origem indo-européia, sofreu no Brasil a influência de muitos outros idiomas, provenientes de nossos colonizadores, dos escravos africanos e principalmente dos nossos ancestrais indígenas. Dessa maneira, muitas palavras que compõem nosso dia-a-dia têm origem na língua tupi. Como em Ubatuba houve uma marcante presença indígena tupi (Tupinambá e Tupiniquim),a cidade herdou uma variedade de nomes oriundos desses povos. Em entrevista ao nosso jornal, o antropólogo e mestre em toponímia (nominação de lugar) pela Universidade de São Paulo (USP), Benedito Prezia, autor de livros sobre a questão indígena, além de ter um trabalho junto às comunidades indígenas do Estado de São Paulo, nos fala sobre a forte presença da língua tupi na geografia ubatubense.

Quais foram os primeiros moradores de Ubatuba?
Foram os indígenas Tupinambás, conhecido também como Tamoios, que ocuparam o litoral desde São Sebastião até Cabo Frio, no Rio de Janeiro, com mais de 40 aldeias espalhadas ao longo do litoral. Há uma certa dúvida quanto à localização da atual Ubatuba, cuja referência encontramos no relato do alemão Hans Staden. Aliás, nesse território Tupinambá, havia três aldeias com esse nome: a aldeia onde está a atual Ubatuba, uma outra, em frente à Ilha Grande, perto da atual Angra dos Reis, e uma terceira, próximo à Niterói. Historiadores também indicam a aldeia de Iperuy (ou Iperoig), onde ficou Anchieta durante a Guerra dos Tamoios, como a ancestral da atual Ubatuba. Podemos dizer que Yperuy deveria ser a aldeia principal, localizada na colina, próximo ao centro de Ubatuba, e que a Ubatuba citada por Staden, deveria ser uma aldeia de menor importância. Com o extermínio dos Tupinambá, o nome Iperuy foi substituído pelo de Ubatuba, tornando-se uma vila mestiça, como indígenas Tupiniquins, alguns Tupinambá que se aliaram e alguns portugueses.

Como você traduziria Iperoig e Ubatuba, já que há tantas etimologias?
Iperuy (melhor que Iperoig) significa rio do tubarão (IPERU= tubarão + Y= rio). O sufixo /ig/ foi criado pelos jesuítas para representar o /i/ gutural indígena (Y).
As outras duas aldeias Ubatuba, com o tempo desapareceram. Quanto ao significado de Ubatuba, na minha opinião é “lugar com muita cana do tipo flecha” (UBA= cana + TUBA= muito, sufixo de abundância). A tradução “lugar de muitas canoas” não tem sentido, pois indicaria uma espécie de estaleiro, o que não devia ocorrer entre os indígenas. O fato de existir três aldeias com esse nome, mostra que essa vegetação (ubá) que, aliás, é abundante na região, devia estar presente em outras partes do litoral. A toponímia tupi é muito descritiva, como ocorre com outros topônimos nessa linha, como Caraguatatuba (lugar com muito caraguatá, planta da família das bromélias), Araçatuba (lugar com muito araçá, que é da família da goiaba).

Que significado tem os nomes tupis de tantos bairros e praias de Ubatuba?
Os nomes indígenas são quase sempre descritivos. Alguns são de difíceis compreensão, pois a história do lugar se perdeu. Certos nomes podemos ainda chegar a uma tradução, pela formação etimológica deles. Por exemplo: Maranduba que quer dizer ‘notícia ruim’ (MARÃ= ruim, guerra + DUBA= notícia). Estaria ligado a algum episódio guerreiro? Itamambuca, quer dizer ‘pedra furada’ (ITA= pedra + MANBUC= furada); Ipiranguinha, provavelmente derivado da palavra piranguim, que quer dizer ‘rio vermelho, o pequeno’ (PIRANGA= vermelho + Y= rio + MIRIM/IM = pequeno); Puruba, que deve significar ‘rosto do tubarão’ (IPERU=tubarão + OBA= rosto); Itaguá, quer dizer ‘buraco de pedra’ (ITA= pedra + GUA/QUARA= buraco), devendo indicar baía onde se localiza este bairro; Prumirim, deve significar ‘rio do tubarão, o pequeno’ (IPERU= tubarão + Y= rio + MIRIM= pequeno).

E caiçara? Por que recebemos este nome?
Vem da palavra tupi kaaysa, que significa cerca de galho, usada para pegar peixe ou fortificação construída para defender a aldeia. Caiçara passou a ser o homem que vive desse tipo de pesca, capturando peixes nessa armadilha rudimentar, feita com galhos de árvore do manguezal.

Para encerrar nossa conversa, nosso entrevistado, que é defensor da causa indígena, nos traz essa bela frase do escritor João Ribeiro, para nossa reflexão: Os conquistadores que tudo destruíram, não puderam apagar do arvoredo, dos rios e das montanhas essas vozes [nomes indígenas] claras e sonoras, esses nomes de lugares que ainda hoje palpitam sobre os destroços dos povos vencidos.

Camilo de Lellis Santos
Biólogo


A Central de Reservas

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