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Gente da nossa história:
Nativa Fernandes de Faria: a merendeira carinhosa

Nativa Fernandes de Faria
Nativa Fernandes de Faria
(1926 - 2003)

Nascida em 12 de setembro de 1926, Dona Nativa veio de Natividade da Serra para estas bandas e aqui se fixou. Sua primeira casa foi na casa que era do Cirino Antunes pelos lados do Botujuru (grotão), próximo a casa João Apolinário (casado com a Balbina, mãe da Odete do Zezinho Balio), João Antunes, José Antunes (casada com a Rosalia Cesário - irmã de Manoel Cesário) e depois a porteira que dava de frente a rodovia. Era o final do bananal, onde também tiravam palha para artesanato. Quando veio para a região estava grávida do último filho. O parto foi realizado pela comadre Tiana Luiza. A família recém - chegada foi recebida de braços abertos pela comunidade.

As coisas eram difíceis a todos naquele período, que tinham de se adaptar ao que poderiam encontrar. Tudo era reaproveitado, a simplicidade e a necessidade da época faziam gerar novas técnicas e tendências. Um exemplo foi o reaproveitamento das embalagens de sal, que era de pano, para fazer roupas às crianças, que era normal na época. Assim como os outros moradores, o filho mais novo também recebeu as roupas da embalagem do sal. A irmandade e a fraternidade eram marcas registradas de todos, principalmente as mulheres. Havia muito serviço e sofrimento e poucos recursos.

Dona Nativa, casada com Pedro Gaspar de Faria se virava como podia. Deste matrimonio nasceram Antonio Gaspar de Faria, Maria Aparecida de Faria Santos, Ana Maria de Faria, Benedito Santana de Faria, José Carmo de Faria (falecido), José Pedro de Faria (falecido) e Giovani Montini de Faria. Sua paciência e sensatez quando aqui chegou surpreendeu a todos.

Guerreira como era não se abateu na adaptação da época. Embora cercada de floresta por todos os lados, por vezes a comida era escassa em sua casa, mas nunca faltou o carinho, o sorriso e a dignidade farta que lhe era peculiar. O marido trabalhava no bananal. Depois da adaptação, dona Nativa veio morar na propriedade de Hipólito Alexandre da Cruz (padaria Pão de Mel).

Suas habilidades começaram a dar forma em chapéus, esteiras de palha e taboa, chinelo, tapetes, rede de trança de taboa, junco, palha de bananeira, tranca de bico, tapete de imbira branca, só não trabalhou com bambu. O material era retirado por ela e pelos meninos, sua sala era cheio de tear, uma fabrica de maravilhas artesanais. Todos queriam comprar as esteiras de dona Nativa, era a mais reforçada da região. Ela ainda trabalhava com “imbira” (corda, barbante de casca de arvore).

Por muitos anos trabalhou com artesanato, o que ajudava em muito no orçamento doméstico. Nesta época as coisas iam melhorando, as crianças crescendo iam ajudando em casa. Com a chegada dos japoneses, Rubens Japonês convidou o esposo de Nativa a morar de caseiro na casa que tinha comprado de Anastácio Felix no Sertão da Quina. Rubens ofereceu serviço aos meninos e dona Nativa continuava a realizar seus trabalhos artesanais, também realizava serviços em costura e coxinhas para serem vendidas na praia (pensem numa coxinha gostosa!).

Com as economias juntadas compraram um terreno e lá construíram sua própria casa. A cada dia ganhavam mais respeito da população, participavam das atividades religiosas e culturais da localidade. Já era considerada tia e comadre de todos.

Cida Balio era diretora da escola Tereza dos Santos e vendo a destreza e a habilidade de Nativa a convidou para trabalhar como merendeira. Feliz da vida, prontamente foi a Ubatuba e realizou o curso, preparando a documentação para ingressar no serviço público. Sua alegria e sorriso era evidente todos os dias na hora de servir merenda, que era mais conhecida com “a sopa da Tia Nativa”. Quem não se lembra deste tempo... Quando não tinha ingredientes ela pegava de seu quintal e preparava com todo o carinho a alimentação das crianças da escola. Quando não tinham em casa ela pedia aos alunos que trouxessem de casa o que tivessem para que preparasse a merenda. De vez em quando os japoneses também colaboravam com verduras e legumes para a alimentação das crianças. Dona nativa era especial, se a sopa fosse só água e sal também seria uma delícia, pois seu maior segredo era o carinho com que preparava a comida. Na fila todos brigavam pela sopa da Tia Nativa. O mais gostoso era o abraço e o sorriso desta verdadeira mulher guerreira. Seu peito cabia um coração que era maior que ela.

Nativa ajudava todo mundo, segundo fala dela mesma, “ajudo os outros porque quando eu precisei me ajudaram”. Talvez por isso o zelo, o carinho e o sorriso farto. Os alunos a adoravam, se tinha uma pessoa que todos a respeitavam era Dona Nativa, que conquistou vários filhos pelo carinho, pelo sorriso.

Infelizmente perdemos seu sorriso no dia 27 de março de 2003, mas que fique bem claro que ela foi com o dever cumprido como filha, como mãe, como avó, como amiga, como comadre, como guerreira. Só posso dizer: Saudades da senhora, Dona Nativa, minha primeira merendeira.

EZEQUIEL DOS SANTOS


A Central de Reservas

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