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A Central de Reservas

Gente da nossa história:
Paula Alves dos Santos, a serenidade pura

Paula Alves dos Santos
Paula Alves dos Santos
(1915 - 2010)

Prova viva do intercâmbio entre o planalto e o litoral, dona Paula nasceu em Vargem Grande no dia 25 de abril de 1915. Lá se criou até o casamento. Descobrimos que ela gostava da simplicidade e de comida caipira. Mulher de luta como era foi difícil achar adjetivos a esta batalhadora, mas que pode ser resumida desta forma: forte como um touro, resistente como o cedro, doce como o mel e delicada como uma flor.

Ainda no planalto recebia muitos amigos do litoral, sua casa foi sempre um porto seguro aos “andantes” que se sentiam em casa. Era até comum às pessoas que iam a Aparecida do Norte ou mesmo jogar bola por aquelas bandas se achegarem a casa de dona Paula. Lá também ficavam na casa de Dito Preto. Quando chegavam era uma festa. Por falar em festa ela não perdia uma. Gostava mesmo é de farinha de mandioca da boa, café de cana, carne cozida que muitas vezes eram feitos nos tachos de cobre de fornear farinha.

Foi privilegiada, pois conheceu e viveu os dois lados geográficos. Moça ainda nova casou-se com Pedro Santana e deste matrimônio nasceram: Pedro, Virgilio, Benedito, Domingos, Sebastião, José, João, Antonio, Izabel, Maria e Geralda, destes muitos netos e bisnetos povoam a nossa região. No final dos anos de 1950 ela desceu a serra definitivamente, pois um parente havia ficado muito doente e ela veio para ficar em seu lugar nas terras. De imediato foi recebida como parte da família do litoral, tamanho o laço de amizade fraternal com os compadres e comadres daqui. Este sentimento e acolhimento nada mais é que a pratica da “auto-pertencença” entre esta população (ela é igual a nós, nos respeita e nós a respeitamos, portanto ela é uma das nossas).

Um detalhe, ela veio viúva com os filhos. Nos primeiros anos não foi fácil a lida para o sustento da família, mas guerreira como foi venceu todas as batalhas. Quando aqui chegou a primeira coisa que fez foi entrar no Apostolado Coração de Jesus aonde freqüentou até os últimos dias antes de seu falecimento. Lembram dela e de Maria “Gaiá” caminhando a passos lentos até a igreja, chovesse ou ventasse iam à igreja, dando exemplos a muita gente que prefere a televisão. Aqui trabalhou muito na roça e quando sobrava tempo não pensava nela, mas sim no carinho aos filhos e no apostolado.

Esta mulher passou por muitas provações, mas sua fé inabalável a fez vencer até nos últimos dias de sua vida. Os filhos foram crescendo e a ajudando no sustento e desenvolvimento da família. Gostava de sentar e fazer chapéu de palha. Mulher de palavra, era adorada, paciente, honrada. Quem não a chamava de tia, chamava de vó, de comadre. Mão aberta e de coração grande, sempre gostou dos netos ao seu redor. Em sua casa podia ter um único ovo para o almoço, se mais gente tivesse, ela dividia em partes iguais, nunca foi “ridica”, aliás, todos adoravam sua comida. Nunca se ouviu e se falou algo contra esta mulher. Percebemos hoje que ela ensinou muito bem seus filhos.

Viu as gerações casarem e ficou um pouco mais festiva. Seus aniversários eram cheios de amigos, todos queriam dar um abraço em vó Paula. Num determinado tempo, um de seus filhos ficara muito doente, ele tinha alergia a lactose, sabiamente descobriu que o leite de cabra o deixava mais animado, com isto passou a alimentá-lo com o leite de cabra. Os animais acostumavam persegui-la tamanho amor que tinha. Sempre gostou de criação, desde o menor até o maior das criações. Era comum vê-la ir até o sitio com uma enxada nas costas, olha que era quase três quilômetros de caminhada. Gostava de flores e de horta. Tinha um conhecimento invejável. Havia um companheiro inseparável, o cachorro de estimação chamado “neguinho”, que uma semana após sua partida não durou uma semana e morreu. Quando estava cansada voltava da roça pra casa de moto ou de caminhão. Chique ela não?

Quando podia ia a Vargem Grande matar as saudades, principalmente das festas e muitas vezes ia a pé. Mulher dotada de uma lucidez impressionante sabia de tudo, lembrava de tudo. Aos que se lembram dela uma unanimidade: mulher sábia, devota, carinhosa, guerreira, religiosa e serena, são o resumo do resumo do resumo sobre suas qualidades. No ano que completaria 95 anos ela ficou doente, seu corpo estava muito debilitado. Um de seus filhos percebeu que por um bom tempo ela preferiu o silencio. Vale lembrar que ela enfrentou a roça até os 94 anos. Muitas vezes era possível encontrar aquela senhora baixinha com a enxada nas costas, que a primeira vista parecia sofrer muito, mas quando mostrava seu rosto, o sorriso denunciava uma mulher feliz, alegre, que tinha feito tudo o que Deus havia permitido, privilegiada pela família e os amigos que tinha ou conquistara. O calor e o carinho dos familiares e amigos foi o combustível até o final.

A sua fé a manteve fiel a Deus e ao apostolado até o último suspiro, foi quando no dia 27 de março de 2010, seus pequenos olhos fecharam para sempre. Não foi ela que foi embora, foi nós é que ficamos, pois a saudade é nossa frente esta guerreira e não ao contrário, é dela que sentimos muita falta.

Quem não se lembra do abraço verdadeiro e carinhoso desta mulher, da sua voz serena. Há quem chore de saudades, também pudera a sua educação se refletiu em toda a família. Esta é a prova viva que todo o seu sofrimento valeu a pena, pois seus ensinamentos estão vivos em seus descendentes. Só podemos dizer que a senhora faz muita falta.
Talvez não consigamos fazer de tudo ao que senhora merecia, mas a senhora fez de tudo para nós, mais do que merecíamos. A sua benção dona Paula e muito obrigado por nos privilegiar com sua presença neste século.

EZEQUIEL DOS SANTOS


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