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A Central de Reservas

Praia da Lagoa: segredos e belezas de uma época
Praia da Lagoa
Do alto se pode avistar a grande área que a lagoa ocupa atrás da vegetação que servia de esconderijo para o tráfico de escravos

Região de uma antiga fazenda colonial onde os traficantes escondiam ilegalmente os escravos e usavam o café como fachada de negócios, o local tem uma pequena enseada do lado sul da Caçandoca e possui acesso por terra tanto pela Tabatinga e Caçandoca, como por mar.
A Fazenda da Lagoa está no limite de uma área reconhecida como o primeiro Quilombo do Litoral Norte, o da Caçandoca. A região é cercada de trilhas históricas com a beleza selvagem da mata e das praias quase intactas: do Frade ou Simão, do Saco das Bananas, da Raposa, da Caçandoca e da Caçandoquinha.
Ora ladeada por matas virgens, ora por matas rasteiras, a trilha é de nível médio e de esforço razoável. Pelo morro da Caçandoca, o visitante poderá contemplar ainda várias outras belezas e vestígios da cultura quilombola e caiçara.

Acesso

O acesso por este lado é longo e provido de
muitas subidas e descidas. A trilha ainda é aquela usada pelos primeiros colonizadores. A beleza natural, as imagens inesquecíveis e a tranqüilidade do local, faz valer todo o sacrifício, já que é necessário várias paradas para um relaxante descanso e muitas fotos.
Pelo lado da Tabatinga, o acesso é de aproximadamente 1,5 Km por estrada de cascalho e terra através da estrada da Ponta Aguda (aberta pela Superintendência do Desenvolvimento do Litoral Paulista - SUDELPA). Os veículos tem de ficar no final da estrada e depois de cinco minutos caminhando chega-se ao paraíso.
De barco também possível alcançar a Praia da Lagoa, porém tem que se verificar o tempo e as condições das marés. A praia possui areia grossa e muitas conchas. Seu nome deve-se à existência de uma lagoa no lado esquerdo da praia. As areias desta antiga fazenda são brancas e límpidas. Quando pisamos podemos ouvir ela literalmente cantar, é possível ouvir os “ics, ics, ics” produzidos pela frição que provocamos quando pisamos com mais força na praia.
A praia é de tombo, não abrigada e suscetível a mudanças bruscas de marés, já que está de frente para o mar aberto. Possui cerca de cem metros, tem a forma de uma ferradura um pouco mais aberta. Em sua abertura, que aponta para o mar aberto, o local é fundo. É preciso resguardar os devidos cuidados para a prática do banho e mergulho.

Praia da Lagoa
A praia provoca uma barragem natural na lagoa...
Praia da Lagoa
... que é rompida quando atinge sua capacidade máxima.

Mares de Pirata

As águas por vezes verde-claras, por vezes azuis e em mares de piratas, escura quase negra. O estrondo das ondas é um espetáculo a parte, um bom observador dos sons da natureza, poderá ouvir as areias sendo levadas pelas ondas, para cima e para baixo. A mata que protege a frente da praia respeita o repouso intacto do jundú. O mar é mais agitado em seu canto direito, as espumas levantando-se por conta das ondas estourando nas pedras causam um atrativo diferenciado. Em seu canto esquerdo o mar é mais calmo e tem uma particularidade, a lagoa de água doce que se forma imponente e maravilhosa, separadas apenas por uma faixa de areia a apenas três ou quatro metros do mar. Nela é possível observar espécies raras de peixes e aves, alguns como o Carapicu, um tipo de peixe parecido ao lambari, mas que também vive em água salgada.
O mar do local é ótimo para observar peixes mariscando durante a noite e durante o dia eles buscam cada um o seu canto. É possível ainda ver tartarugas marinhas em seu balé tranqüilo dando o ar da graça. Ótimo ponto para namoro, levar as crianças, curtir o dia com a família, local ideal para relaxar o corpo e a mente.
Gostoso mesmo é se empanar nas areias grossas da Lagoa e depois entrar nas ondas fortes. A lagoa transforma-se numa piscina particular, ideal para tirar o sal do corpo e descansar em período de sol mais intenso. Lindo também é a vegetação que cobre a lateral do caminho. Parece que foi colocada a mão. São jardins de bromélias e caraguatás numa disposição de dar inveja. É fácil ainda descobrir pegadas de aves e animais em busca de sombra, água e frutas como o araçá e o maracujá. Para um melhor aproveitamento do dia e uma maior segurança é recomendável realizar o trecho acompanhado de um guia. Bom passeio!

Fazenda era porta de entrada para o tráfico de escravos

Beleza natural à parte, por trás do jundú e pela trilha é possível avistar um lindo jardim de sapé e flores tropicais, vestígios de casas e de algumas pilastras erguidas. Mas, ao caminhar em direção ao centro da fazenda, em meio a mata, avistamos uma grande estrutura que teria sido um imenso porão construído por peças de pedras coladas com conchas moídas misturadas a areia e óleo de baleia. Acima, umas pilastras que teriam dado sustentação as paredes que agüentava um enorme galpão. É assim que está guardada uma das últimas jóias de estrutura arquitetônica surpreendente: ruínas, marcas do tempo da escravatura, do processo civilizatório e da formação genealógica de nosso País. A estrutura lá existente nos remete ao um passado triste de exploração e sofrimento.
Praia da Lagoa
Ruínas em meio a vegetação são testemunhas de uma passado cruel e sofrido por parte dos escravos

Ao tocar nas ruínas e fechar os olhos, dá para sentir emoções fortes. Parece que a parede quer falar alguma coisa. Muitos dizem que é assombrado. A construção impressiona pelos detalhes arquitetônicos, o local escolhido, os detalhes de encaixe das madeiras, reboco (novidade para a época), a disposição dos espaços, a organização das salas, a saída e a entrada do local, o desenho que esconde os porões e a proximidade da lagoa, onde os traficantes afogavam os negros secretamente e depois enterravam ou lançavam ao mar seus corpos.

Segundo estudiosos, a fazenda era realmente uma fachada para o tráfego negreiro. Eram trazidos na maioria homens que ficavam presos no porão da grande casa, que é o que sobrou, o que vemos hoje. Os humanos que eram negociados eram vendidos a peso de ouro. Havia escolha até para os tons de negro da pele, quanto mais escuro mais caro. Observavam seus dentes brancos e fortes, as canelas, que quanto mais fina mais valor tinham para venda. Eram itens importantes que mais valorizavam sua negociação no mercado.

Temos informações que o penúltimo proprietário foi Carlos José Robillar, natural da Ilha de São Domingos – França. Ao que tudo indica chegou ao Brasil por volta de 1821-1822 para adquirir um tanto de terras. Chegou com a condição de lavrador proprietário. Em 1823-1824 teve como sócio um tal de Glucht, que aparece como agregado de Rubillar em 1825. O feitor de Robillar foi Pacifique Guiamon, que veio a falecer em 1827. Em 1829 sua propriedade consta em nome de sua mãe Dona Catarina Francisca Robillar. Em 1830 o fogo aparece novamente em seu nome e seu feitor é Elias Romeira. O último proprietário a que se tem notícia foi Bernardino Antunes de Sá, que por volta de 1858, trouxe das Minas Gerais José Antunes de Sá, um parente para comprar outra fazenda, a da Caçandoca.


Visualizar Praia da Lagoa em um mapa maior

Em 1850, com a aplicação da Lei do Abate de Navios, de Euzébio de Queiroz, muitos traficantes de escravos utilizaram rotas alternativas para venderem negros ao planalto. Na nossa região ainda constam às trilhas do Campo, Água Branca e da Pedra Preta, do Sertão da Quina do lado de Ubatuba, e outras do lado de Caraguatatuba, como a subida até Pouso Alto e do Poço Verde.

Valor histórico-ambiental

Não precisa ter estudo para entender o valor histórico e cultural do lugar, que através da tradição oral fomos representados na formação de nossas raízes. Não precisa ter estudo para entender o valor ambiental que o lugar possui, já que se trata de um ponto em que a especulação imobiliária ainda não desfigurou, como aconteceu com as ruínas no entorno da entrada da Estrada da Ponta Aguda. Não precisa ter estudo para entender que esse ecossistema mantém os seres vivos livres para transitar entre a mata e a praia. Até a década de 1970 o lugar ainda teve outros moradores que viviam exclusivamente da pesca, da caça e da agricultura familiar. Havia ainda a criação de pequenos animais.
Sebastião Pedro de Oliveira lembra dos seguintes moradores: Horácio, Aristeu, João da Lagoa e Ernesto. Conta ainda que com a orientação do Padre Pio foi construída uma escola na propriedade de João da Lagoa, onde ele, João Cabral, Pedro Celestino, Guido Correa e Antonio Pedro Rosa trabalharam por volta de 1954. Diz ainda que eles atravessavam a trilha da Tabatinga a Caçandoca com um saco de açúcar mascavo misturado a farinha de milho, que eram comidos com frutas apanhados no caminho e por vezes café oferecidos por moradores.

EZEQUIEL DOS SANTOS


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