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Praia Grande do Bonete: tranqüilidade o ano todo
Praia Grande do Bonete
Devido a seu isolamento, a praia Grande do Bonete preservou a cultura e a natureza do local.

Partindo da Praia da Lagoinha ou da Praia da Fortaleza através de uma trilha em meio à mata chega-se a Praia Grande do Bonete, a média de caminhada é entre 40 minutos e uma hora e meia. A trilha é do tempo dos primeiros moradores da região, os índios Tupinambás.
Assim como a água era a rodovia dos antigos moradores, as trilhas eram as pequenas estradas. Este trecho não foi diferente. É um pedaço da trilha que cortava o litoral de Santos ao Rio de Janeiro, usada por índios negros e, posteriormente, por europeus colonizadores. Ao caminhar por estas trilhas tem-se a exata idéia do paraíso na terra, são imagens e encontros belíssimos, como avistar peixes e animais em movimento.

Festividades

Tendo como padroeiros São Sebastião e Nossa Senhora de Santana, o local já foi palco de grandes festividades e roças. Como toda pequena vila de caiçaras, o tempo, as atividades cotidianas era movido pelo calendário dos períodos de colheita e pesca e também o religioso.

O local guarda muitos resquícios de seu passado glorioso, a festa de janeiro, a corrida de canoa, a receptividade, o jeito de falar, de caminhar, a interação com a natureza, manutenção do lugar, a defesa de seus patrimônios e por vezes a volta de seus filhos.

Como não tem rua, a disposição dos acessos é bem interessante, grande parte tem nomes de peixes da região e é conduzida por plantas muito bem cuidadas nas laterais. Ao centro da localidade uma Capela, que guarda uma belíssima imagem de Cristo feita em bronze confeccionada pelo artista Alberto Frioli, em sua antiga fundição de bronze na Praia do Perez. Em frente à escola existe uma área para as festividades. No local se produzia principalmente mandioca, cana, banana, café, frutas e plantas de uso medicamentoso, como o chá preto, local ideal para o cultivo. As pescas eram intercaladas com a agricultura, seguindo uma tradição de respeitabilidade com os ciclos naturais de procriação de animais do mar e de terra. Era comum o morador possuir a casa em frente à praia e trabalhar no “sertãozinho”, que era a várzea e os morros. As casas eram baixas por conta dos ventos, janelas pequenas de tramelas e piso de tablado, principalmente na sala (maior espaço da residência), onde acontecia os “bate-pé, a função, a catira”.

A Praia Grande do Bonete foi um dos melhores lugares para as atividades de bate-pé. Benedito Antunes de Sá, 75, da Caçandoca lembra bem das danças: “Quando víamos a fumaça subir no canto da Praia Grande era o sinal para a função, as pessoas se reuniam na Caçandoca e se dividiam em grupos, os homens iam a pé, as mulheres de canoa, só no outro dia que as pessoas voltavam, era uma noite inteira de festanças”, termina. Moradores da Maranduba, Sertão da Quina, Araribá, Rio da Prata, Tabatinga, Fortaleza e Praia Dura participavam das festividades. O povo da Praia Grande através de sua cultura e história manteve os laços do processo civilizatório nacional, o que acontece até hoje, seja nas festividades, no jeito de falar ou até no jeito de andar.

Mar do Caribe
Ilha do Mar Virado
No passado, a Ilha do Mar Virado abrigou várias famílias tradicionais. Hoje é considerada sítio arqueológico.

O visitante quando está em cima da trilha, de qualquer uma delas, vê a maravilha que é o lugar. Por vezes as águas lembram muito mais as águas do Caribe, suas águas verde-claras, o que é um atrativo a parte, é possível avistar tartarugas próximos às pedras, de tão límpida, tem-se a sensação de que é um quadro com vidro por cima e que a paisagem por baixo se move lentamente, no ritmo da contemplação, do relax, nos convidando a tirar a pressa e as besteiras que trazemos do dia-a-dia.

A Praia Grande do Bonete é uma praia de tombo, de areias grossas e espetáculos naturais com ondas razoáveis, principalmente em períodos de ressaca. Seu canto esquerdo é maravilhoso para um mergulho de snorkel e para a pesca com vara, para um banho relaxante, para as crianças então o paraíso. Suas areias de tão limpas produzem os “ics, ics” quando arrastamos os pés com pouco mais de força.

No seu canto direito, na costeira existe uma caverna, onde pescadores a utilizam como abrigo e curiosos imaginam quem poderia ter morado ali. Muitos visitantes sentem a responsabilidade de respeitar a natureza e a população, que além de um modo natural de vida, preservou parte dos seus costumes, que pode ser muito diferente de quem os visita. Basta olhar em seu entorno, onde as maiores mudanças foram por conta dos costumes urbanos e das casas de veraneio e não dos moradores.

Existem ainda alguns ranchos de canoas e uma pequena barra de rio, espaço que serve de palco de partidas de futebol de areia e dos encontros costumeiros.


Cultura, história e hospitalidade fazem parte da paisagem

Em frente à praia Grande do Bonete existe a Ilha do Mar Virado, seu entorno é de águas fundas e não tem praia, mas mesmo assim já abrigou inúmeros moradores, é possível ver as marcas de casas no chão da ilha e ainda pedaços de casas de pau-a-pique na localidade. Existe abrigo nas pedras possível de ancorar uma embarcação.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo encontraram Sambaquis milenares na ilha, onde descobriram ossadas de moradores com idade superior a dois mil anos, nos estudos relatam que estes povos viviam por volta de 25 anos, tinham estaturas baixas e viviam exclusivamente da coletas de mariscos, raramente caçavam, as pesquisas apontam ainda que a ilha tinha uma estreita ligação com o continente.
Do outro lado da ilha existem dois cortes no morro que parecem que foram realizados por uma ferramenta gigante. No dia 21 de novembro de 1955, o Juiz de Direito da Comarca de Ubatuba, Dr. Alpheu Guedes recebe a petição de protesto (88/55) por parte de Mabel Hime Masset, contestando a posse centenária de metade da Ilha. Os moradores questionados na época eram: Sebastião Marcos, Quirino, Manoel e Eugenio Marcos, Antonio Leandro, Alcides Inocêncio, Luiz Lopes, Constantino Gerônimo, Sebastião e Benedito Custódio, Francisco Mariano (vulgo Chiquinho) e Gerônimo Palmiro de Oliveira e suas respectivas mulheres.

OVNI


Visualizar Praia Grande do Bonete em um mapa maior

O local guarda muito mistério e belezas naturais, um desses mistérios fora relatado através da tradição oral Foi a retirada de um objeto semelhante ao um cachimbo gigante das águas, na época os moradores foram proibidos de saírem de suas casas, e a tal peça foi içada por um navio da marinha americana. Na ocasião um fotógrafo americano que estava nas Toninhas tirou algumas fotos e também foi levado, nunca mais o viram, especulações informam de que se tratava de um OVNI, isto parece que aconteceu na década da de 1930.

Tempestade

Muitos moradores tinham suas roças, agora todos sem exceção exerciam alguma atividade ligada a pesca. Em outubro de 1963, como nos descreve Maria de Lurdes Oliveira, 50, natural da Praia Grande do Bonete nos conta sobre a tempestade que ocorreu nesta época. Neste episódio morreram pescadores de várias localidades de Ubatuba. Foi um vento rápido de meia hora, mas o suficiente para causar danos irreparáveis, o mar subiu até o jundú, a areia da praia chegou a ir ao sertão, nas roças, casas ficaram destelhadas, algumas destruídas parcialmente. Nesta tempestade, morreram o Domingos Soares, Ismael e “Bito” Davi. Só o Ismael não foi encontrado.
Na missa de sétimo dia, na matriz, chegou a notícia, trazida por João Zacarias, de que haviam encontrado o corpo de Domingos Soares, foi uma comoção, já que a missa na cidade era em memória de todos os mortos naquela tempestade. As viúvas passaram por maus bocados. Elas assumiram as duas funções, a de pai e mãe, a roça e a pesca. Na época, os filhos já haviam acostumados a comer peixe todo dia.

Algumas crianças tinham de ser “engabelados” com pedaços de madeiras bem secas no fogão a lenha dizendo que era peixe seco assado, só assim, as crianças matavam a vontade. Maria lembra de alguns dos moradores mais antigos do local, são eles: Virgilio Lopes, Maria Carolina Lopes, Adelino, Tio Tim, Tiago e José Rosendo, João Pipoca, Lourenço Tia Rita, Benedita Maria Soares, Domingos Gervásio, Anastácio e João da Várzea.

Estrada

Com as necessidades de melhorias, a comunidade havia solicitado a SUDELPA - Superintendência do Desenvolvimento do Litoral Paulista a abertura de uma estrada costal da Lagoinha até a Praia Grande do Bonete. O processo é o SPFU/3780/77, que em parceria com a Prefeitura Municipal deu andamento no pedido. De inicio havia um abaixo assinado de 158 pessoas solicitando a obra e que custaria aos cofres públicos CR$ 2.000.000,00 (dois milhões de Cruzeiros), orçada em 1986, conforme relatório 624 de 1986. O alto valor da obra fez com que o processo demorasse, tempo o suficiente para a comunidade desistir da idéia. O processo durou de 1977 até 1986. A comunidade briga até hoje é pela implantação de energia elétrica no Perez.

Mesmo sem a estrada, moradores trazem o lixo de barco voluntariamente, por isso devemos trazer o nosso lixo, já que lugar com ares de paraíso não combina com lixo e com qualquer tipo de depredação, agora é aproveitar a hospitalidade e as belezas que a mãe natureza deixou a esta população.

EZEQUIEL DOS SANTOS


A Central de Reservas

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