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Saudade como fonte de emprego e renda as comunidades
Seu Juquinha
Seu Juquinha

Mesmo com a simplicidade de nossas vidas, havia sempre alguma que nos marcavam. Muita delas era sobre coisas simples que não envolviam dinheiro e nem status. Em algumas situações, dinheiro nenhum neste mundo pagaria por este prazer ou privilégio. Lembro-me da comoção que era a visita da Folia de Reis e do Divino a nossa região.

A folia era como o jornal da época. Através de seus membros sabíamos o que acontecia em todos os cantos da cidade. Todos paravam para acompanhar os Reis. Eram servidas boas bebidas, café com bolo, “escardado de galinha”. Tudo debaixo de muita alegria. Seus membros tinham casas marcadas para pouso.

Outra festa boa foi a da Nossa Senhora das Graças, daquela que tinha o leilão, bate-pé, Moçambique trazido da Serra Acima, tinha ainda seus moradores que faziam peças teatrais animadas. Era história, cultura e entretenimento tudo junto. Era bom porque todos participavam de todas as etapas. Para a festa os rapazes vestiam suas melhores roupas, aquelas de domingo, tudo passado a fero de brasa, pesadões, de difícil manuseio. As moças com suas roupas de festa e com brilhantina no cabelo, estilo “cashimere bouquet” no rosto (pó de arroz).

Programação boa mesmo era fazer rodinha pra contar e ouvir causos, os mais assanhados se chegavam aos pais das moçoilas e ficavam papeando (o tal do xavéco). Se a menina desse um sorriso, a noite ia ser boa.
Naquela época era um escândalo ver a canela de uma moça. As modas de viola e rodadas de truco atraiam mais gente do que o campeonato brasileiro. Aos domingos as missas e depois o campo de futebol era o ponto de encontro do pessoal, ali você sabia de tudo, era um ponto de referencia para tudo, principalmente para os mutirões. Tinha ainda o jogo de malha que era na venda do seu Moisés, que tinha um uniforme padrão, sunga azul, camisa de botão e chapéu de palha, que utiliza até hoje. Família bacana deste homem.

Os primeiros doces comprei no bar do “Zé Leal”. Lá tinha de quase tudo. Outro armazém que meu pai fala muito foi o do “Mané Gaspá”, onde é parte do prédio da escola Tereza dos Santos. Uma ou duas vezes por ano aparecia o barbeiro e o dentista. Era um acontecimento ”tirar” o dente. As romarias para Aparecida eram por vezes realizadas a pé, outras no pau de arara. As vias sacras eram representadas por atos, queria eu saber quem era aquela mulher que subia no banquinho e cantava “Por aqui passou um homem...”, e os soldados que batiam as lanças umas nas outras quando cruzavam a procissão. Fé a parte, tratava-se de um espetáculo ao ar livre, assim como a missa afro realizada no quilombo da Caçandoca.

As missas comemorativas eram aguardadas o ano todo. Era uma beleza, turistas vinham aos montes ver a tradição e a preparação de um povo leigo, que se fosse profissional não faria tão bem. Isso era em todas as comunidades da região. O presépio, as luzes natalinas, as canções, os violeiros. As festas particulares também eram rodeadas de charme, beleza e fartura, mesmo que a família fosse desprovida, algo acontecia e nada faltava.

Moradores da região costumavam se consultar com Dona Quininha (Joaquina), mãe do João Américo, que fazia remédios caseiros a base de ervas da localidade. Outros iam a cidade consultar com o Seu Juquinha, antecessor do Seu Filhinho. Juquinha tinha uma Botica no centro, vendia remédios por doses, tinha também o “suador”, método usado para expulsar a doença do corpo. O paciente tomava chá quente e um comprimido, depois se enrolava num cobertor ou numa esteira de palha, ficava quietinho por horas deitado até o suador passar. Pronto resolvido!

O que mais me dói é saber que não trata de saudosismo e sim de formulas antigas que com roupagens novas podem muito bem substituir este marasmo que está nossa cidade por algo que, além de animar o povo e o visitante, poderá proporcionar a geração de emprego e renda a muita gente. Quem se habilita?
 

CRISTINA AP. DE OLIVEIRA


A Central de Reservas

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