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A Central de Reservas

Gente da nossa história:
Sebastiana Luiza: a enfermeira das famílias

Dona Tiana Luiza
Sebastiana Luiza de Oliveira Prado
"Dona Tiana Luiza"
(1923 - 1995)

Sebastiana Luiza de Oliveira Prado foi peça fundamental na qualidade de vida na região. Era ela quem fazia o papel de “enfermeira da família”, trabalhava de forma preventiva.

Muitos homens e mulheres hoje lembram com muito carinho da Dona Tiana Luiza. Embora fosse festeira, carregava muitas responsabilidades. Parteira de profissão, realizada varias ações medicamentosas, dona de um raro saber, ela conseguia transformar folhas e raízes nos mais importantes remédios. Tinha remédios para todos os problemas da época. Sua fé nunca foi contestada, seus benzimentos em nome de Deus hoje são questionados, mas quem precisou que o diga.

Vinha gente de todo lugar do país e de todas as religiões para conversar com Tiana. Ela quase não tinha tempo para descansar, por vezes ficava semanas na casa de um doente até que ele se recuperasse. Derradeira (última) filha de Bertolina Catarina de Jesus, de origem indígena e portuguesa e de Luiz Jesuíno de Oliveira um luso/italiano, nasceu na Praia Grande do Bonete pelas mãos de Ana Sobrinha da Praia da Tabatinga, aos dez dias do mês de Junho de 1923.

De família simples, casou-se aos 16 anos com Manoel Cesário do Prado, e tiveram três filhas: Maria, Rosalia e Conceição, além de um filho adotivo, Luiz Celso, mais conhecido como Mosquito.

Curiosa, Tiana descobriu cedo o dom da cura e da manipulação das plantas, seu primeiro trabalho de parto realizou na casa de Benedita Apolinário. Num deslize de Ana Sobrinha, Tiana entra no quarto, minutos depois, rompendo os gemidos da parturiente, houve-se o choro de uma criança... era uma menina a qual deram o nome de Maria Apolinário. Depois de muitos puxões de orelhas, Ana Sobrinho comentou que tinha achado uma substituta ideal, senão a melhor para o assunto e já poderia descansar em paz. Detalhe - Sebastiana Luiza tinha apenas dezessete anos e nunca tinha visto um parto, era seu primeiro parto como ajudante de parteira. Seu conhecimento se deve em partes da transferência dos saberes de seu pai.

Morou no bairro do Araribá por muito tempo onde de tudo plantava, viviam da pesca e da caça. Como de costume, a casa era na beira do rio onde buscavam água para os banhos e cozimentos. Com o respeito adquirido de uma das parteiras mais experientes, ela era a única pessoa com idade inferior aos costumes da época que podia participar de um trabalho de parto. Ela preferia cuidar daqueles que eram mais pobres e que possuíam pouca informação sobre saúde, cuidados com a casa e com as crianças.

Dotada de personalidade forte, sabia das coisas como se tivesse um filtro e conseguia distinguir uma pessoa má de uma pessoa boa, todavia, sabia o momento certo de dizer as coisas, tudo sem rodeios, na lata, como costumam dizer.

Como trabalhava muito e morava longe, muitas vezes as crianças nasciam pela metade das mãos de outras pessoas. Tiana então chegava, lavava as mãos com sabão e partia para o serviço. No mesmo ano, realizou um parto muito complicado. Era um menino muito grande que estava com o cordão umbilical em volta do pescoço. Calmamente colocou as mãos na barriga da mulher, fazendo movimentos aleatórios, depois pegou pés da criança e foi virando-a, até que finalmente conseguiu tirar o cordão do pescoço. Pronto, à criança saiu!

Havia outro problema: a criança estava com uma coloração arroxeada, o que fazer agora? Para algumas mulheres a criança já estava morta, mas Dona Tiana era mais paciente que o paciente, pegou a criança, começou a soprar a “moleira” e a balançá-la para cima e para baixo, nada até então. Levou a um quarto, trancou a porta e começou a dizer umas orações que ninguém conhecia. De repente ouviu-se o choro da criança. A mesma chorou por um dia inteiro, pois estava com outro problema: não conseguia sugar o leite da mãe, o cordão havia machucado seu pescoço. Lá vai Dona Tiana atrás de ervas para um bálsamo, que acompanhado de uma massagem, resolveu o problema, pelo menos parcialmente. Ela começou a dar em uma colher chá para que ele aos poucos movimentasse os músculos da face que faziam com ele sugasse a tão rica fonte de vida, o leite materno.

Esse era o segundo parto de sua vida. Essa criança lhe ocupou sete dias de dedicação. Hoje é seu afilhado, ainda vivo, e seu nome é Antônio Amorim, mais conhecido pela alcunha de Antônio Lagarto. O porquê do apelido ninguém sabe. Antônio relembra com saudades de muitas coisas que sua querida madrinha era capaz de resolver. Para resolver os problemas ficava vários dias sem comer. Seu conhecimento lhe rendeu entrevistas com religiosos e cientistas. Todos que nasciam por suas mãos a visitavam, mesmo que isto demorasse dias de viagem. Não há registros de que alguma criança viesse a falecer em suas mãos em função do parto, pois seu cuidado maior era com a prevenção antes do nascimento. Ela sem saber já fazia o que conhecemos hoje como pré-natal, tanto que as mulheres ou homens que “pulavam a cerca” vinham pedir-lhe para fazer à famosa “garrafada”, só que eles a pediam para um aborto, o que nunca acontecia, a garrafada dela era para dar “sustância” à criança.

Seus remédios por muitas vezes foram questionados, até que um milionário da Tabatinga levou várias amostras para o renomado Instituto Adolpho Lutz, sem ela saber. Depois um médico trouxe a notícia: todas as amostras examinadas tinham fundamentos medicinais. Solicitou mais amostras para analises e pesquisas.

Sebastiana realizou partos nas cidades de Ubatuba, Caraguatatuba, Ilha Bela, São Sebastião, Natividade da Serra, Vargem Grande, Taubaté, São José dos Campos, Aparecida do Norte, São Luiz do Paraitinga, Parati e São Paulo. Nunca cobrou um centavo por seu trabalho. Às vezes recebia presentes de pessoas que não se identificavam. Em meados de 1955, Dona Tiana recebeu a visita de um Arcebispo que, para não chamar atenção, chegou em trajes comuns e fez várias perguntas a Tiana. Posteriormente seu marido, que trabalhava na época em Santos, recebeu a incumbência de entregar-lhe uma pequena caixa, que para sua surpresa era um crucifixo assinado pelo Santo Padre, o Papa João Paulo II, e um livro com trechos em que suas orações estavam lá impressas, junto com rezadeiras escravas e índias de todo o Brasil. Esse livro foi publicado até 1975.

Para ela a televisão era o maior culpado pela destruição das famílias e da fé verdadeira, aquela que não foi inventada para dinheiro, mas sim para salvação.

Tiana era analfabeta e tinha imensa vontade de aprender a ler e escrever, mas ensinou muita coisa aos que a conhecia. Em 25 de Janeiro de 1995, Tiana nos deixou, porém como homenagem foi eleita patrona da escola do Araribá, que leva seu nome: E. M. Sebastiana Luiza de Oliveira Prado – Tiana Luiza.

EZEQUIEL DOS SANTOS


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