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A Central de Reservas

Gente da nossa história:
Tia Maria Gorda

Tia Maria Gorda
Maria Verônica Correa de Oliveira
"Tia Maria Gorda" (1922 - 2003)

Em 06 de junho de 1922, tendo como coberta a mata atlântica e como cama o solo fértil das grandes roças, nascia das mãos de parteiras da região a menina Maria Verônica Correa de Oliveira que foi exemplo de mãe, filha, mulher trabalhadora, avó e comadre.

Vivendo sempre da roça, da caça, da pesca e da troca de mantimentos, casa-se aos dezesseis anos. Sua vida foi muito sofrida, porém Maria sempre se manteve serena e sua experiência de fé inabalável ajudou a criar seus 16 filhos. São eles: Dimas, Sebastião, Antonio, Miguel, José, Benedito, Manoel, Augusto, Maria, Verônica, Ana, Sandra e os que se foram como Catarina, duas Marias Madalena e outro Manoel que devem estar felizes por estarem do lado da mãe.

Nascida na antiga várzea do Sertão da Maranduba (atual Sertão da Quina), “Tia Gorda” como era carinhosamente chamada foi uma guerreira, de olhos pequenos e amendoados e sorriso farto agradava a todos, principalmente quando sentava ao lado do fogão a lenha sempre com um bule de café para servir ao visitante. “Tia Gorda” só tomava café que ela mesma plantava, colhia, secava e torrava, depois em um ritual típico de um café na roca, era degustado. Gostava que a Folia de Reis e o Divino fossem a sua residência. Infelizmente uma insuficiência cardíaca fez com que nos deixasse no dia 06 de junho de 2003. Os antigos dizem sempre que só vai para o céu os que realmente estão preparados.

A filha Maria Aparecida Correa Santos, 62, lembra com saudades do tutu de feijão feito pela mãe, do mingau de goma, das brincadeiras nas balsas de bananeiras descendo rio, de quando a mãe colocava a noite um caldeirão de água do lado de fora para ter água fria para beber, depois jantavam e por vezes contava uma história para as crianças dormirem.

Muito religiosa, não tirava o terço de “capiá” do pescoço, era a única moradora que tinha o privilégio de possuir uma capelinha no quintal de casa, seu sonho. Lá foi realizado missas e terços. A capela abrigava uma rara imagem de Nossa Senhora Santa Maria Negra, defensora dos negros. Atualmente há quem discuta e duvide de sua fé verdadeira, onde a ignorância e falta de respeito a sua religiosidade seriam os piores pecados a esta senhora, sabemos que a isto ela não sobreviveria, já que seu sonho e referencia de vida foi ao chão.

A comadre “Tiana Luiza” foi quem realizou os partos dos filhos mais novos e a quem ela teria trocado alguns segredos. A fase mais difícil de sua vida foi quando o marido foi trabalhar em bananais em Santos, ela tinha de ser mãe e pai ao mesmo tempo, por vezes chegou ao limite do desgaste físico e emocional por conta do amor aos filhos, mas venceu e viveu para contar sua história.

Privilégio mesmo é de quem conseguiu conhecer esta MULHER em vida, muitos lembram que ela já não reconhecia a nova geração, tinha de falar filho de quem que você era, quando reconhecido ela logo dizia: “Ah Home, lhéi só, fulano tem um filho deste tamanho, arrelá!”

Verdadeira filha de Deus, exemplo de fé, devota da Mãe de Deus e uma pessoa tão sincera que chega a transpassar seu amor verdadeiro, sua partida revelou uma lacuna no processo de criação, na educação simples e sábia e na difusão do etnoconhecimento de um povo, que embora simples era feliz e muitas vezes não sabia. A sua benção Tia Maria, acho que ouço ao longe ela dizer: ”Deus te abençoe e te guarde meu filho”.

EZEQUIEL DOS SANTOS


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